com o intuído de ser visto por quem queira e por quem passa.
Perversamente de cara subjugada ao desconforto do real, fui-me deixando ir ao sabor do relento e saboreando algum alento, até que quando dei por mim tinha sido encarcerado pelo desejo, preso pelo orgulho e algemado pelo capricho.
Rendido à nova morada, e até com alguma vaidade nesta nova indumentária. Não tracei plano de fuga, bandido por coincidência de datas e horas, sem tempo para saber porque choras, infringi a lei que manda a Vida;assino pois a minha confissão.
O que é que um Tubarão diz quando vê a sua fêmea??
"-Tubara..lhas-me pá!!!"
O que é o Tomate diz à "tomata"??
"-Tumatas me tanto!!!"
O que é que faz um trampolim no Polo Norte?
"-È para o Urso Pular!!!!
Entre um copo de sol e um brinde de sorrisos saem aquelas conversas inteligentes, dementes, estridentes, sorridentes e mesmo não sendo eloquentes, são mais do que são e nunca menos do que teriam sido...e decalcando as palavras de Picasso;"Passei a minha vida inteira a tentar voltar a ser simples, frontal, genuíno, para voltar a pintar como quando em criança..."
A mim basta-me um sorriso como quando em criança...
Nem tudo tem de ser complexo, convexo e com anexo...
Irrito me com todo este sopro da procura, quase que me elevo à loucura... com toda esta ventania que me faz sonhar pela razia do único sitio que estamos a salvo de nós.
Intolerante, torno me nesse tipo de mutante de alguém que já soprou e ao abrigo no ponto de partida, da proeminente fugida de remoinhos e tufões, amargurava o local de céleres celebrações, desprendidas de chamamentos monótonos, do antes e do depois, do aqui e mesmo do ali, porque a celebração é o estar mais além, de mim, de ti, de sí, de vós e de todos nós.
Mais rugado, mais amassado,o eterno frustrado encontra se mais libertado. E então fujo, corro e não deixo que me amarrem ao vento nem a nenhum encantamento, esperneio, esbracejo, tudo com um único desejo, que parem de soprar e passem a olhar.
Junho é mês de respirar Lisboa e a culpa nem é das solarengas tardes que apimentam os frescos miradoiros nem tão pouco do Tejo que por fim mostra o seu provocante Azul ...a culpa é dos Santos Populares.
Cheiro de Sardinha assada, bifana bem acompanhada, bailes e bailaricos pelas ruas que já não se encontram nuas de enfeites e trejeites florais e alguns manjericos acompanhados de versos populares para oferendar aos nossos pares: assim dança a tradição portuguesa neste mês de Junho;Santo António dia 13, São João dia 24 e São Pedro dia 29.
Em tempo de crise, actos criativos são mais apetecidos,então, então pus-me a oferendar manjericos com rimas hde sabor a Santos Populares, bem ao estilo de Zé passarinho!! Segue se um best offf!!
"Sardinha com cerveja na mão... e desculpa lá o empurrão"
"se não tiveres pedras no caminho...volta e meia podes me trazer vinho"
"Cheira a sardinha.. é boa mas é minha, paga lá... mas é outra cervejinha"....
Amigos ingratos, manjerico nem um me ofereceram mas rimas de resposta ...
"Vais todo bonito para elas.. e depois é só empurrões e pisadelas!"
"Chouriço assado e sangria, estômago lixado no outro dia!"
" Agarra te é à bifana crua!Que este ano não me vês nua!".. não sei do ke estava a falar!!já devia estar meio bebida!
"que é esta m"#$%? dou te é com vinho no (#"$% !!" acho que esta nem rimava, vejam bem!!!..
etc.. etc...
..nunca mais me dou ao trabalho.... para a próxima levam com o típico dos típicos do poeminha e manjerico ....da loja dos chineses!!
Amar por Amar, tudo Amar ou Amar o estar a Amar.... enlaçam-nos e embriagadamente deturpam-nos a visão do estar. Acordamos sonambulamente com a angústia da solidão, e dançamos com o que está mais á mão, quando o que está, vai estando, e não..não se sabe o que realmente se festeja e que queremos que esteja, porque afinal só queremos estar onde estar não estamos e ás vezes até desejamos... o desejo de estar a desejar, borboletas a rodopiar nas flores que só nós vemos, mas na estação seguinte por entusiasmo a menos, já não as temos...
Mas então e se o querer sufoca, por não se poder partilhar o respirar, se o silencio é uma palavra dita olhos nos olhos, se o sorriso só é sorriso quando o riso é um coro...e se o estar nunca é suficiente mesmo que seja permanente? Então sentes a palavra do poeta, o traço do pintor, o sonho do sonhador....